A folha em branco não me amedronta porque nela, quase sem dar por nada, espalho lentamente a tinta da minha consciência, que goteja. Então, entorno-a; derrama-se, escorre, esvazia-se, intermitente, convulsivamente,
E pinga cada gota de mim, derramando-se sobre o papel. Absorvida, seca e transforma-se na própria folha e eu, aclaro os pensamentos revoltos, sinto-os, desenterro-os, desenleio-os, cuspo-os, grito-os.
No fim, sussurro-os, silencio-os, inundo-os outra vez em mim.
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